Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"Sonho com o dia em que os poemas de amor de homem para outro homem serão apenas isso: poemas de amor de um homem para outro homem. Mas em um país como o Brasil e num tempo como o nosso, poemas de amor de um homem para outro homem têm implicações políticas inescapáveis, portanto trabalho com isso em mente. Até mesmo lançar uma antologia da poesia homoerótica grega hoje em dia teria implicação política completamente inexistente no contexto original dos poemas"

domingo, 21 de agosto de 2016

”Eu quero uma presidente sapatão. Eu quero alguém com Aids para presidente e quero uma bicha para vice-presidente e quero alguém sem plano de saúde e quero alguém que cresceu num lugar onde a terra esteja tão contaminada com lixo tóxico que não tenha tido opção senão ter leucemia. Eu quero uma presidente que tenha feito um aborto aos 16 anos e quero um candidato que não seja o mal menor e eu quero um presidente que tenha perdido o último dos seus amantes para a AIDS, que ainda o veja de cada vez que fecha os olhos para descansar, que teve nos seus braços a pessoa amada sabendo que ela iria morrer. Quero um presidente sem ar condicionado, que tenha estado numa fila de hospital, na fila do DETRAN, na assistente social e tenha estado desempregado e tenha sido demitido e que tenha sofrido assédio sexual e tenha sido vítima de crime homofóbico e tenha sido deportado. Quero alguém que tenha passado uma noite na cadeia, que tenha tido uma cruz queimada no seu quintal e tenha sobrevivido a um estupro. Quero alguém que tenha estado apaixonado e que sofreu por amor, que respeita o sexo, que tenha cometido erros e aprendido com eles. Quero uma mulher negra para presidente. Quero alguém com dentes ruins (e atitude), alguém que tenha comido (aquela horrível) comida de hospital, alguém se traveste e tenha usado drogas e feito terapia. Eu quero alguém que tenha cometido desobediência civil. E quero saber por que é que isto não é possível. Eu quero saber quando é que começamos a acreditar que um presidente tem de ser sempre um palhaço: sempre um cliente e nunca uma puta. Sempre chefe e nunca trabalhador, um mentiroso, um ladrão que sai sempre impune.”


Zoe Leonard, 1992

terça-feira, 21 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016

você vai me dizer que vivemos na melhor cidade da américa do sul e vai me pedir para olhar a lua. olha a lua.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

é sobre alguém que foi colher morangos e deixou a pessoa que ama dormindo na cama

sexta-feira, 22 de abril de 2016

BICHA

Ser bicha é estar no entremeio entre o tido como homem e mulher, dividir a marginalização com as travestis que também transitam por esse limbo social, é utilizar o que se tem vontade sem a importância dada para o que a sociedade dirá sobre ser coisa “de menino” ou “de menina”, é ser decolonialista e não aceitar que se imponha sobre a própria vida um ideal de procura por um parceiro rico e branco que te levará para a Europa quando casarem, é por vezes ter conflitos com a lei por ter brigado em bares e trocado garrafas com pessoas que a atacaram pura e simplesmente por sua bichisse ou por ter roubado mais um mercado ou loja por não conseguir emprego formal e todo lugar afirmar que aquele espaço não é para ela e seu consumo. Ser bicha é, então, uma identidade de gênero e resistência. Não se contentar com o que foi dado, não receber só o esperado e não viver oficialmente. Ser bicha é subverter o papel de subalterna que a sociedade dá e dizer que não irá assimilar, não irá falar grosso se não quiser e não irá também aceitar ser essa voz subalterna e calada. Há, também, em alguns casos, o sexo com homens, mas mesmo isso pode ser opcional, visto que há bichas que sequer estão interessadas em relacionamentos com os indivíduos que há muito vem as oprimindo. Há, mas não é e nunca será o eixo central. Para se transar, é preciso estar viva. E estar viva é a luta da bicha

Texto de Ariel Silva

http://transfeminismo.com/materializando-as-identidades-nao-binarias-a-bicha-enquanto-identidade-de-genero-brasileira-a-fluidez-de-genero-para-alem-dos-muros-universitarios/