Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Tudo que vai, volta

O sonho acabou Alterosa? Penso que não. Mas me permito o luto ao constatar que aquele castelo era mesmo feito de purpurina e agora se desfez. Queria ter entrado lá ao menos mais uma vez, sou dessas de desejar muito e me conformar pouco. Mas tá tudo certo. Fico com você aqui bem perto do coração, fico com as suas imagens rondando meus sonhos mais íntimos, alterando meus batimentos cardíacos. Fico com você chorando baixinho e fico também com o meu desespero ao te ver chorar. Fico com você dizendo que abraçaria uma pessoa muito querida e dizendo o quanto ama e odeia ao mesmo tempo, fico com você ao mesmo tempo: menino e menina, monstro e serpentina, rosa e preto, coroa e pelos. Fico com você Princesa Caio encarando a plateia, se deixando ver, se dando a ver. Você se dando e se doando inteira, nua, vestida, travestida, transviada. Você é diva meu amor. E eu amo você.

- Flávia Naves

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

tudo que vai, volta

Porque é corajoso pra caralho. Porque é delicado, político e transgressor sem cair em velhos ou novos chavões. Porque é surpreendente. Porque é jovial sem ser bobo. Porque tem humor e tem dor. Porque é um trabalho em equipe lindo. Porque dá vontade de ver muito mais. NÃO PERCAM!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

tudo que vai, volta

É sobre sonhos de princesa e seu desmoronamento. Mas não se iludam mais do que a princesa: é uma rainha que está em cena. Um soberano diretor consciente de cada mínimo gesto executado com precisão na atuação de uma atriz-diva-alter-ego que ele deve admirar profundamente.
Habituado ao tom coloquial da linguagem imediata da performance, desta vez Caio Riscado experimenta servir sua intimidade à mesa do chá, com toda pompa e circunstância. É por meio do artifício que ele se desnuda neste trabalho tão especial, construído ao longo de dois anos de uma pesquisa cuidadosa que contou com o apoio indispensável de parcerias preciosas, devidamente creditadas.
Porque é Caio, em toda a sua potência, que está em cena; mas não está só. É a potência de um coletivo que celebra o encontro entre arte e vida no território do afeto, que sustenta sua mão ligeiramente trêmula na noite de estréia. Que sustenta seu salto no céu aberto da cena, onde o controle da partitura escorrega e cede aos caprichos do corpo e ao imperativo da própria cena, sempre outra por natureza.
A rainha nua revela a vulnerabilidade e solidão em preto e branco que se refugiam em seu mundo cor-de-rosa. Mas não para por aí. Entre os escombros do castelo da Disney nos encontramos todos, com as pequenas e grandes dores e perplexidades que habitam nossos corpos. E o cor-de-rosa é a reinvenção dos corpos e do nosso modo de existir no mundo.
Nos contagia, Caio. Contagia o planeta inteiro com seu sonho de amor cor-de-rosa. Porque esse mundo precisa, urgentemente, ser reinventado. E porque é o amor, o afeto, a maior das revoluções.

- Dani Fusaro

tudo que vai, volta.


Caioooo, tive que correr de lá pra sair correndo pela rua livre, tirando a roupa e me pintando num sonho rosa! Mentira! Mas sai correndo pq tinha que tirar dinheiro mesmo antes que desse as dez badaladas da noite. Enfim, queria te dar um beijo, um abraço, uma palavra viva ao vivo de que tudo o que vi não foi sonho, mas uma realidade bem construída, corajosa, delicada, convidativa à liberdade de ser. Fiquei muito feliz de sair de casa sem saber onde era o Reduto, pegando táxi, ônibus e andando trechos a pé na chuva (moro em São Cristóvão, aff de locomoção) para ver algo que realmente vale muito a pena. Já sabia que ia ser assim, vindo de você e da trupe miúda, que é gigante. Pouco saio de casa para ver teatro, não consigo quase nada. Mas ontem não vi teatro, vi vida, vi viada, vi muita vontade de mensagem, imagem, política, alumbramento. Me encantou você ter pintado de rosa (essa cor tão agradável que expande as pupilas quando somos espectadores do teu sonho) a cena carioca que anda tão cinza. Entrei no banheiro das projeções e vi lá o desenho de Mayara Rainha e você no strip das calcinhas! Fiquei feliz! Aquela música da bicha que suja a rua de sangue foi um tiro certo, muito certeiro, na mosca da realidade, da hipocrisia, da chatice do mundo: que transmute algo no mundo, no poder da voz que ecoa.
Querido, feliz demais que você tenha dado esse salto do alto da torre mais alta do castelo da Disney! Bj

- Marcelo Asth