É sobre sonhos de princesa e seu desmoronamento. Mas não se iludam mais do que a princesa: é uma rainha que está em cena. Um soberano diretor consciente de cada mínimo gesto executado com precisão na atuação de uma atriz-diva-alter-ego que ele deve admirar profundamente.
Habituado ao tom coloquial da linguagem imediata da performance, desta vez Caio Riscado experimenta servir sua intimidade à mesa do chá, com toda pompa e circunstância. É por meio do artifício que ele se desnuda neste trabalho tão especial, construído ao longo de dois anos de uma pesquisa cuidadosa que contou com o apoio indispensável de parcerias preciosas, devidamente creditadas.
Porque é Caio, em toda a sua potência, que está em cena; mas não está só. É a potência de um coletivo que celebra o encontro entre arte e vida no território do afeto, que sustenta sua mão ligeiramente trêmula na noite de estréia. Que sustenta seu salto no céu aberto da cena, onde o controle da partitura escorrega e cede aos caprichos do corpo e ao imperativo da própria cena, sempre outra por natureza.
A rainha nua revela a vulnerabilidade e solidão em preto e branco que se refugiam em seu mundo cor-de-rosa. Mas não para por aí. Entre os escombros do castelo da Disney nos encontramos todos, com as pequenas e grandes dores e perplexidades que habitam nossos corpos. E o cor-de-rosa é a reinvenção dos corpos e do nosso modo de existir no mundo.
Nos contagia, Caio. Contagia o planeta inteiro com seu sonho de amor cor-de-rosa. Porque esse mundo precisa, urgentemente, ser reinventado. E porque é o amor, o afeto, a maior das revoluções.
- Dani Fusaro
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