Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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domingo, 21 de agosto de 2016

”Eu quero uma presidente sapatão. Eu quero alguém com Aids para presidente e quero uma bicha para vice-presidente e quero alguém sem plano de saúde e quero alguém que cresceu num lugar onde a terra esteja tão contaminada com lixo tóxico que não tenha tido opção senão ter leucemia. Eu quero uma presidente que tenha feito um aborto aos 16 anos e quero um candidato que não seja o mal menor e eu quero um presidente que tenha perdido o último dos seus amantes para a AIDS, que ainda o veja de cada vez que fecha os olhos para descansar, que teve nos seus braços a pessoa amada sabendo que ela iria morrer. Quero um presidente sem ar condicionado, que tenha estado numa fila de hospital, na fila do DETRAN, na assistente social e tenha estado desempregado e tenha sido demitido e que tenha sofrido assédio sexual e tenha sido vítima de crime homofóbico e tenha sido deportado. Quero alguém que tenha passado uma noite na cadeia, que tenha tido uma cruz queimada no seu quintal e tenha sobrevivido a um estupro. Quero alguém que tenha estado apaixonado e que sofreu por amor, que respeita o sexo, que tenha cometido erros e aprendido com eles. Quero uma mulher negra para presidente. Quero alguém com dentes ruins (e atitude), alguém que tenha comido (aquela horrível) comida de hospital, alguém se traveste e tenha usado drogas e feito terapia. Eu quero alguém que tenha cometido desobediência civil. E quero saber por que é que isto não é possível. Eu quero saber quando é que começamos a acreditar que um presidente tem de ser sempre um palhaço: sempre um cliente e nunca uma puta. Sempre chefe e nunca trabalhador, um mentiroso, um ladrão que sai sempre impune.”


Zoe Leonard, 1992

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

22 de agosto de 2015

18:14

Dá um nó no tempo. O corpo confundi e a cabeça inventa. Acordei fazendo planos tão bestas quanto a minha cara lhe pedindo um beijo. O álcool intensifica o processo e as questões não amadurecem. Acordei querendo gritar umas coisas, chorar uns livros. Tudo sujeira. Tudo deserto. Tudo certo. Sou pedra pouco lapidada, acordei sentindo sua falta. Uma falta criada, um vazio ficcional.

18:38

E podia ter mais. Mas eu não sei fazer poesia com vento forte. Bom sábado.