Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

sábado, 3 de outubro de 2015

Muitas.

Era fácil criar um mundo, despertencer ao já sabido para habitar o estranho, o imaginário. Esse movimento sempre me pareceu natural. Produzia rotas de fuga diárias, como quem vai ao supermercado ou escova os dentes toda manhã. Difícil mesmo era permanecer aqui, aceitar o tempo e sua complexa relação com o corpo da gente, com nossos desejos. Estar presente sem se anular, criar estratégias de sobrevivência, não ceder. Logo aprendi que seria preciso negociar, pois habitar a trama não significa dominá-la, mas justamente o oposto. É preciso saber tanto para gerar desconhecimento, acompanhar a paisagem e seus acidentes, modificar o interno por ação do externo e vice e versa. 

Dançar também nunca foi fácil. Ainda mais quando se dança assim tão de lado e todo rebolado. Em um segundo sou capaz de criar um mundo pelo simples movimento das mãos. Se coloco aqui sou Frida Kahlo, um pouco pro lado princesa Léia. Posso ser um gatinho, um pato de estimação ou um tigre. Segurando um cigarro, com o rosto de lado e um breve sorriso, sou Hannah Arendt e também a enigmática Clarice Lispector - essa, sem sorrir, é claro. Com um arco feito dos próprios cabelos, sou Beauvoir. De espada na mão, Joana D`arc. Sem espada, mas não sem armas, Josephine Baker, Carmem Miranda e Chica da Silva. Sou Anita Garibaldi em cima do cavalo, Ana Cristina César em cima da janela e Rita Lee em cima do palco. Se choro, sofro como Calcanhoto, festejo como Elba e com Valesca Popozuda vou dez vezes até o chão. Passeio pelas letras, sou Breatriz Bracher, fui separada na maternidade de Verônica Stigger pois não compreendo como não somos irmãs. Sou a faca afiada do poema encardido de Angélica Freitas que deita consigo mesma para amar o outro. Sou Jacira Caio Fernando Abreu, uma saudade enorme de Marcia X que não tive a oportunidade de conhecer, mas com quem ainda travo longas conversas. 

Com as mãos na cintura sou Madame Satã, balançando os braços Elis e, quando indignada, sou Vanessão. Não era só pelos vintes centavos e nem só pelos vintchy reias, quirida. Jogada no mar, camuflada entre as flores e o fogo vermelho, sou Ana Mendieta, Julia Roberts tomando banho de banheira e na garupa de João Miguel, sou Hermila virando céu. Quando gargalho ou grito alto, sou a fúria da Cássia Eller mãe, grisalha como Tempestade e boa de fogão como Dona Benta. Invento moda, sou Coco Channel, Mary Poppins de guarda-chuva, vou me embora de mala e cuia, viro memória como as Spice Girls. Sou Sandy toda cagada na festa do tatu e dentro da cabaninha sou também Punk, a levada da breca. Tarsila do Amaral, o bigode de Carlota Joaquina e as cem mil perucas e saias e bordados e sapatos de Maria Antonieta. Não te mete comigo que eu fecho com Oxum, vou turbinada em meu carro, Penélope Charmosa; eu sou a Pantera Cor de Rosa. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Retrato #2 - Princesa


Liguei a TV no dia 01 de Setembro de 2015.
Ela dizia que hoje tudo mudou.
Hoje mulheres podem ser "alguma coisa que elas não são habitualmente".
E hoje homens podem ser princesas.

Será?

Fiquei pensando em Alterosa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

roteiro de partitura

mão pra trás
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos

não - solta
ombro / aqui

espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência

domingo, 28 de setembro de 2014

Entrevista.

Programa:

O performer será entrevistado pelos membros da equipe. Cada membro elaborará as suas perguntas a partir dos motes temáticos sugeridos pelos performer. O performer responderá uma pergunta de cada vez, podemos usar o corpo e o espaço como parte de suas respostas. O performer não poderá usar objetos. Perguntas parecidas ou até mesmo iguais, elaboradas pelos membros da equipe, não poderão ser eliminadas. Para cada pergunta parecida, o performer deve se esforçar para dar uma resposta diferente.

motes

- infância/homossexualidade
- infância/brinquedo/brincadeira/rosa/azul/bárbie
- infância/sonho/disney/
- escola/amigas/meninas/grupo
- escola/grêmio
- escola/preconceito
- faculdade/pessoas/gênero/
- faculdade/liberdade/questionamentos
- corpo/barba/pelos/pele
- corpo/gesto/gestualidade
- corpo/cidade/medo/insegurança/sofrimento
- cidade/medo/violência/preconceito
- cidade/pessoas/trajetórias/olhar
- corpo/cena/corpo como espaço/espaços do corpo
- cena/sonho/desejo/troca

perguntas que devem ser feitas pelos membros da equipe para o performer

- para você, o que significa o projeto Sonho Alterosa?
- quais são os seus desejos em relação ao projeto?

toda a entrevista deve ser filmada.