Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performa tiva-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015
não via rosto. via só a cor do mundo numa só.
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Virando mochila - pré Berenice
- ãhn?
- aham
- ah, tá
- tá, eu sei
- não
- quê?
- hum
- uhum
- nunca
- 3 vezes
- mais ou menos
- um pouco
- sim
- ãnnnnnnn. sei lá
- foi
- tá.
- aham
- ah, tá
- tá, eu sei
- não
- quê?
- hum
- uhum
- nunca
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- mais ou menos
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- sim
- ãnnnnnnn. sei lá
- foi
- tá.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
Muitas.
Era fácil criar um mundo, despertencer ao já sabido para habitar o estranho, o imaginário. Esse movimento sempre me pareceu natural. Produzia rotas de fuga diárias, como quem vai ao supermercado ou escova os dentes toda manhã. Difícil mesmo era permanecer aqui, aceitar o tempo e sua complexa relação com o corpo da gente, com nossos desejos. Estar presente sem se anular, criar estratégias de sobrevivência, não ceder. Logo aprendi que seria preciso negociar, pois habitar a trama não significa dominá-la, mas justamente o oposto. É preciso saber tanto para gerar desconhecimento, acompanhar a paisagem e seus acidentes, modificar o interno por ação do externo e vice e versa.
Dançar também nunca foi fácil. Ainda mais quando se dança assim tão de lado e todo rebolado. Em um segundo sou capaz de criar um mundo pelo simples movimento das mãos. Se coloco aqui sou Frida Kahlo, um pouco pro lado princesa Léia. Posso ser um gatinho, um pato de estimação ou um tigre. Segurando um cigarro, com o rosto de lado e um breve sorriso, sou Hannah Arendt e também a enigmática Clarice Lispector - essa, sem sorrir, é claro. Com um arco feito dos próprios cabelos, sou Beauvoir. De espada na mão, Joana D`arc. Sem espada, mas não sem armas, Josephine Baker, Carmem Miranda e Chica da Silva. Sou Anita Garibaldi em cima do cavalo, Ana Cristina César em cima da janela e Rita Lee em cima do palco. Se choro, sofro como Calcanhoto, festejo como Elba e com Valesca Popozuda vou dez vezes até o chão. Passeio pelas letras, sou Breatriz Bracher, fui separada na maternidade de Verônica Stigger pois não compreendo como não somos irmãs. Sou a faca afiada do poema encardido de Angélica Freitas que deita consigo mesma para amar o outro. Sou Jacira Caio Fernando Abreu, uma saudade enorme de Marcia X que não tive a oportunidade de conhecer, mas com quem ainda travo longas conversas.
Com as mãos na cintura sou Madame Satã, balançando os braços Elis e, quando indignada, sou Vanessão. Não era só pelos vintes centavos e nem só pelos vintchy reias, quirida. Jogada no mar, camuflada entre as flores e o fogo vermelho, sou Ana Mendieta, Julia Roberts tomando banho de banheira e na garupa de João Miguel, sou Hermila virando céu. Quando gargalho ou grito alto, sou a fúria da Cássia Eller mãe, grisalha como Tempestade e boa de fogão como Dona Benta. Invento moda, sou Coco Channel, Mary Poppins de guarda-chuva, vou me embora de mala e cuia, viro memória como as Spice Girls. Sou Sandy toda cagada na festa do tatu e dentro da cabaninha sou também Punk, a levada da breca. Tarsila do Amaral, o bigode de Carlota Joaquina e as cem mil perucas e saias e bordados e sapatos de Maria Antonieta. Não te mete comigo que eu fecho com Oxum, vou turbinada em meu carro, Penélope Charmosa; eu sou a Pantera Cor de Rosa.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
A homofobia...
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
terça-feira, 15 de setembro de 2015
esquece
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
roteiro de partitura
mão pra trás
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos
não - solta
ombro / aqui
espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos
não - solta
ombro / aqui
espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Ação: o beijo.
Para o momento da ação do beijo ainda considero retomar o programa performativo que criei para Só Não Viu Quem Não Quis.
Performance: O beijo.
Programa: o performer convidará para cada dia de apresentação do espetáculo um outro performer de sua escolha para participar da performance. Em um momento combinado entre os dois, o performer convidado entra no espaço e eles se beijam ininterruptamente por cinco minutos. Ao final do tempo estipulado, o performer convidado deixa o espaço.
Para cada apresentação um performer, um novo beijo, uma nova troca de saliva, tesão, toque, energia, vontade, desejo e violência.
Performance: O beijo.
Programa: o performer convidará para cada dia de apresentação do espetáculo um outro performer de sua escolha para participar da performance. Em um momento combinado entre os dois, o performer convidado entra no espaço e eles se beijam ininterruptamente por cinco minutos. Ao final do tempo estipulado, o performer convidado deixa o espaço.
Para cada apresentação um performer, um novo beijo, uma nova troca de saliva, tesão, toque, energia, vontade, desejo e violência.
Vídeo-performance: o beijo.
Para o momento do beijo, quando o material do "espaço para uma ação ética" de Só Não Viu Quem Não Quis for retomado, pensei em fazer um vídeo para a projeção que, de alguma forma, seja um desdobramento do vídeo que já fizemos com o Bernardo.
Ideia: convidar as amigas drags para gravar o vídeo-performance do beijo. Uma de cada vez, as drags entram no "espaço" e nós nos beijamos. Durante o beijo, pela violência que é própria ao ato de beijar com vontade outra pessoa, pensei em ir despindo as drags e desfazendo suas maquiagens. A partir do contato entre nossos corpos, eu, que não estaria montado, sairia da ação sujo, carregando vestígios da maquiagem das drags em meu rosto. O objetivo de desmontar as drags durante uma ação de beijo na boca tem, para mim, diferentes significados: a) a passagem da maquiagem e montação delas para o meu corpo exibe o desejo por corpos e identidades transitórias, que seguem borrando a paisagem e afetando aqueles e aquelas com quem tem contato; b) desfazer a drag é também um elogio a (des)montagem como valorização do processo de um eterno movimento daquilo que sempre retorna para ser, do que se (re)produz em arte; c) a ação cria uma espécie de relação questionadora quando, ao final, levanta a questão: quem está montado? o que é a montaria? quando ela começa e quando termina? não estamos todos nós, frequentemente, montados?
Ideia: convidar as amigas drags para gravar o vídeo-performance do beijo. Uma de cada vez, as drags entram no "espaço" e nós nos beijamos. Durante o beijo, pela violência que é própria ao ato de beijar com vontade outra pessoa, pensei em ir despindo as drags e desfazendo suas maquiagens. A partir do contato entre nossos corpos, eu, que não estaria montado, sairia da ação sujo, carregando vestígios da maquiagem das drags em meu rosto. O objetivo de desmontar as drags durante uma ação de beijo na boca tem, para mim, diferentes significados: a) a passagem da maquiagem e montação delas para o meu corpo exibe o desejo por corpos e identidades transitórias, que seguem borrando a paisagem e afetando aqueles e aquelas com quem tem contato; b) desfazer a drag é também um elogio a (des)montagem como valorização do processo de um eterno movimento daquilo que sempre retorna para ser, do que se (re)produz em arte; c) a ação cria uma espécie de relação questionadora quando, ao final, levanta a questão: quem está montado? o que é a montaria? quando ela começa e quando termina? não estamos todos nós, frequentemente, montados?
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
Trans*corrimento Xoxotaço.
Ao longo do processo de criação e pesquisa de Sonho Alterosa me comprometi a fazer uma série de performances variadas que tem por objetivo investir nos desdobramentos performativos das questões caras ao projeto. Nessa sábado, apresente na Monstra hífen de pesquisa-cena a performance: Trans*corrimento Xoxotaço, as 18:00 no Teatro Dulcina.
Trans*corrimento Xoxotaço é uma ação que consiste em um striptease de uma única peça em multiplicidade. (re)combinando próteses de gênero socialmente atribuídas ao masculino (barba, bigode...) e ao feminino (batom, peruca...) busco criar nesse trabalho uma espécie de corpo que não está aprisionado aos padrões binários de gênero. Um corpo híbrido, um corpo em arte, monstruoso por sua natureza inorgânica, ciborgue por opção, debochado por vocação. Além da imagem-corpo em movimento, pesquiso a expressão de uma corporeidade adolescente, reforçando a ideia de um corpo em constante fluxo de mudança, atravessado pela velocidade, instabilidade e oscilação da máquina desejante.
O programa da performance é simples e consiste, como já mencionado, em um striptease de uma única peça em quantidade e variedade. Me programo para tirar e recolocar as 50 calcinhas que visto em sobreposição, numa ação continuada. Um dado valioso do programa é que as calcinhas não foram compradas, mas sim doadas por mulheres amigas a partir da construção de uma rede pautada na colaboração afetiva para com o trabalho. Todas as calcinhas utilizadas são usadas, manchadas, rasgadas e velhas. As calcinhas, enquanto objetos performativos, carregam consigo uma história e são, também por isso, documentos cênicos que (re)visitam as noções de memória e esquecimento na medida em que atualizam, no decorrer da ação, as ideias de passado e futuro, friccionando o presente. Uma a uma as calcinhas são tiradas e reposicionadas ao longo das pernas, que estão tensionadas e abertas, fazendo com que as mesmas fiquem esticadas, uma acima da outra, formando a imagem de uma perna-calcinha, um edifício de feminilidade, repleto de gozo, (re)gozo, saliva, sangramento, desejo, paixão mas também violência, repulsa, dor e não-vontade. Ao fim da retirada de todas as peças, uma a uma, as calcinhas são recolocadas e assim a ação prossegue em duração pré-estabelecida anteriormente pelo performer. A duração da ação pode variar de acordo com o espaço, o tipo de evento e a vontade do performer.
Trans*corrimento Xoxotaço é um trabalho voltado para a valorização do sangue que não é orgânico, do corpo alterado, modificado e transtornado. Mais do que aquilo que nos é inerente, a circulação do sangue, pretendo com a ação expor outros tipos de corrimento, aqueles que ainda não são classificados e enjaulados pelas ciências psis e médicas. O corpo trans* também sangra e o nosso sangue está voluntariamente misturado e transado com purpurina, maquiagem, pelos, pentelhos, suor, carne, silicone, interferências de todos os tipos nos mais variados espaços - dos imagináveis aos impensáveis. O xoxotaço guerrilha pela autodeterminação de gênero, denunciando zonas de estagnação e gueto, afirmando sua diferença, instaurando um brinde a singularidade do corpo.
A performance surgiu nas discussões facilitadas pela professora, performer e teórica da performance Eleonora Fabião durante as aulas do curso: Performances: teoria, historiografia e criação - ministrado em 2014/2, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
O nome dela quer dizer safadeza
Eu adoro esse filme, essa história, essa personagem. Na minha festa do livro, da alfabetização, a minha turminha dançou a música clássica da Bela e a Fera. Me lembro de ter muita inveja do vestido das meninas, de querer estar de amarelo como elas, quando na realidade tive que me contentar em usar uma simples imitação de terno, feita de cetim vagabundo, que era a roupa das feras-príncipes. Eu só queria ser uma princesa e hoje gostaria de voltar no tempo para poder ver o que os meus olhos diziam. Seria o meu desejo tão internalizado que nada era expresso pro fora? Seria a minha vontade tão reprimida e o meu teatro tão convincente? Ou era o teatro do fora, imerso em seus padrões e verdades absolutas, que não me enxergava? Dentro e fora.
Para a Alterosa, gostaria de criar com o Phil uma paródia dessa música. Acho que é uma canção maravilhosa para trabalhar todos os tipos e formas de xingamento que são dirigidos as identidades trans*. A vida do interior, minha aldeia, nossa aldeia cotidiana, repleta de censura, preconceito, violência e repúdio. Assim como Bela é exotizada na canção, só por gostar de ler, sou/somos exotizados todos os dias por nossos corpos e identidades em constante fluxo de construção e (re)combinação. Uma paródia de denúncia: a Bela que é Fera que é BELA FERA, FERABELA.
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domingo, 28 de setembro de 2014
Entrevista.
Programa:
O performer será entrevistado pelos membros da equipe. Cada membro elaborará as suas perguntas a partir dos motes temáticos sugeridos pelos performer. O performer responderá uma pergunta de cada vez, podemos usar o corpo e o espaço como parte de suas respostas. O performer não poderá usar objetos. Perguntas parecidas ou até mesmo iguais, elaboradas pelos membros da equipe, não poderão ser eliminadas. Para cada pergunta parecida, o performer deve se esforçar para dar uma resposta diferente.
motes
- infância/homossexualidade
- infância/brinquedo/brincadeira/rosa/azul/bárbie
- infância/sonho/disney/
- escola/amigas/meninas/grupo
- escola/grêmio
- escola/preconceito
- faculdade/pessoas/gênero/
- faculdade/liberdade/questionamentos
- corpo/barba/pelos/pele
- corpo/gesto/gestualidade
- corpo/cidade/medo/insegurança/sofrimento
- cidade/medo/violência/preconceito
- cidade/pessoas/trajetórias/olhar
- corpo/cena/corpo como espaço/espaços do corpo
- cena/sonho/desejo/troca
perguntas que devem ser feitas pelos membros da equipe para o performer
- para você, o que significa o projeto Sonho Alterosa?
- quais são os seus desejos em relação ao projeto?
toda a entrevista deve ser filmada.
O performer será entrevistado pelos membros da equipe. Cada membro elaborará as suas perguntas a partir dos motes temáticos sugeridos pelos performer. O performer responderá uma pergunta de cada vez, podemos usar o corpo e o espaço como parte de suas respostas. O performer não poderá usar objetos. Perguntas parecidas ou até mesmo iguais, elaboradas pelos membros da equipe, não poderão ser eliminadas. Para cada pergunta parecida, o performer deve se esforçar para dar uma resposta diferente.
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perguntas que devem ser feitas pelos membros da equipe para o performer
- para você, o que significa o projeto Sonho Alterosa?
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