Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performa tiva-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
O nome dela quer dizer safadeza
Eu adoro esse filme, essa história, essa personagem. Na minha festa do livro, da alfabetização, a minha turminha dançou a música clássica da Bela e a Fera. Me lembro de ter muita inveja do vestido das meninas, de querer estar de amarelo como elas, quando na realidade tive que me contentar em usar uma simples imitação de terno, feita de cetim vagabundo, que era a roupa das feras-príncipes. Eu só queria ser uma princesa e hoje gostaria de voltar no tempo para poder ver o que os meus olhos diziam. Seria o meu desejo tão internalizado que nada era expresso pro fora? Seria a minha vontade tão reprimida e o meu teatro tão convincente? Ou era o teatro do fora, imerso em seus padrões e verdades absolutas, que não me enxergava? Dentro e fora.
Para a Alterosa, gostaria de criar com o Phil uma paródia dessa música. Acho que é uma canção maravilhosa para trabalhar todos os tipos e formas de xingamento que são dirigidos as identidades trans*. A vida do interior, minha aldeia, nossa aldeia cotidiana, repleta de censura, preconceito, violência e repúdio. Assim como Bela é exotizada na canção, só por gostar de ler, sou/somos exotizados todos os dias por nossos corpos e identidades em constante fluxo de construção e (re)combinação. Uma paródia de denúncia: a Bela que é Fera que é BELA FERA, FERABELA.
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