Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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domingo, 20 de setembro de 2015

Tira tudo

- Sapatinho: Esquecendo o castelo...

- Coroa: A música-tema.

- Colar: Castiçais e candelabro.

- Luva (1): Veludo molhado, tafetá...

- Cabeça: E as perucas... Todas elas.

- Brinco (1): Esquece as jóias.

- Roupa de cima*: Esquece as pedras preciosas.
* Possibilidade.

- Anel: Adorado sapatinho de cristal.

- Saia: O copeiro, o jardineiro...

- Cílios: O motorista particular...

- Brinco (2): A casa de veraneio...

- Pulseira: Esquece da vontade das pessoas...

- Luva (2): Tira uma foto comigo?

- Calcinha: ... Possibilidade de reconfiguração infinita

sábado, 12 de setembro de 2015

Tudo dando errado

Cinderela

https://www.youtube.com/watch?v=FM6Fi-R2Bew

https://www.youtube.com/watch?v=ggS61GeN-dA    - 08:10 / 08:47 /

A bela adormecida

https://www.youtube.com/watch?v=oIQTZXS6MFo   -  maldição

https://www.youtube.com/watch?v=xoC1_hfWxD4 - mesma cena só que no original - "eu realmente estranhei não ter sido convidada" / "não é bem vinda" / maldição

Branca de neve

https://www.youtube.com/watch?v=937pE4xC0rU  - enfeitiçando a maçã  - melhor texto, melhor dublagem

A Bela e a Fera

https://www.youtube.com/watch?v=w7WPdwcoxdU  - texto do Gaston sobre a Fera <3 "quem for homem vai ter que lutar..." / o pai da Bela preso / Bela presa / Canção da perseguição do monstro.

mesmo trecho de cima com uma qualidade melhor: https://www.youtube.com/watch?v=uiaIwLx2C18

O corcunda de notre dama

https://www.youtube.com/watch?v=k7R_qdrNXUE - canção do padre contra Esmeralda, chamando ela de ciganada do inferno - a igreja católica rogando sua bela maldição as mulheres.

O rei leão

https://www.youtube.com/watch?v=Uahl00duAUo - Oscar e as hienas - maldição do rei. "se preparem" / "para a morte do rei" / ""fiquem comigo e jamais sentirão fome outra vez" "se preparem para o golpe do século"

A pequena sereia

https://www.youtube.com/watch?v=wmSbYG7mEvU - Ariel presa por Úrsula / Úrsula saindo gigante do mar - É incrível <3 "agora eu sou a rainha dos mares, as ondas obedecem aos meus caprichos"

Mulan

https://www.youtube.com/watch?v=RYd-vhiXCNE - "vocês não são o que eu pedi, são frouxos e sem jeito algum, vou mudar, melhorar, um por um..."

https://www.youtube.com/watch?v=FzeWTz4XfxE  - Mulan sendo preparada pro casamento, sendo puxada de um lado para o outro "uma noiva mais que exemplar, traz mais honra a todos nós" / "mas terá que ser bem calma, obediente e ter vigor, com bons modos e com muito amor, traz mais honra a todos nós"

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

roteiro

- prólogo
- texto alterosa - striptease 1
- intro música milkshake com glitter
- série deformações - Ana Mendieta
- mic. anuncia a música
- milkshake com glitter
- série máscara de flores + mankini

Fim

Não foram felizes para sempre,
mas foram possíveis.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

roteiro de partitura

mão pra trás
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos

não - solta
ombro / aqui

espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência

22 de agosto de 2015

18:14

Dá um nó no tempo. O corpo confundi e a cabeça inventa. Acordei fazendo planos tão bestas quanto a minha cara lhe pedindo um beijo. O álcool intensifica o processo e as questões não amadurecem. Acordei querendo gritar umas coisas, chorar uns livros. Tudo sujeira. Tudo deserto. Tudo certo. Sou pedra pouco lapidada, acordei sentindo sua falta. Uma falta criada, um vazio ficcional.

18:38

E podia ter mais. Mas eu não sei fazer poesia com vento forte. Bom sábado.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Miau

Curitiba, sábado, 01 de agosto.

Gato Preto.

Luciano e eu sentados na mesa. Lado a lado. Uma mulher se aproxima. Ela se agacha no espaço entre nossos corpos, com as mãos apoiadas no encosto de nossas cadeiras, e diz: "olá, rapazes. Vamos fazer um sexo bem gostoso? Nós três?". Luciano sorri, abobalhado. Por um segundo eu não sei o que dizer, mas digo: "hoje não vai dar, obrigado". "Amanhã, então?" - ela pergunta com um leve sorriso no rosto. "Amanhã. Quem sabe?!" - dizemos.

Essa foi a primeira vez que me vi incluído numa possibilidade de relação heterossexual. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Hija de Perra

"Na minha infância nunca me identifiquei com este binarismo, sentia que naturalmente encaixava
em outra situação muito mais harmônica, e brinquei os jogos infantis de ambos os lados, entre
jogar futebol, brincar com barbies, beijar garotas e garotos, definitivamente minha infância foi
sensacional, plural e nunca nenhum garoto me insultou, ao contrário, tudo transcendia muito
naturalmente dentro do livre fluir da vida.

Na década de 80, aos 5 anos de idade, me inscreveram por obrigação em um colégio católico só
de homens. A situação em si me parecia bem estapafúrdia. Todas as manhãs rezava à Virgenzinha
para que me converte-se em princesa e quando meus compainheirinhos de curso brincavam de
guerra das galáxias eu era sempre a princesa Leia. Sempre que tomava a mão dos meninos aos
quais sentia atração, a professora gritava de longe “os meninos não andam de mãos dadas”... minha
mente ignorante da heteronorma não compreendia esses gritos que impediam minhas liberdades
infantis naturais"

"Soltei meu cabelo, me vesti de rainha, coloquei saltos, me pintei e era linda, caminhei até a porta,
senti me gritarem, mas os seus cadeados já não podiam me parar e olhei a noite que já não era
escura, era de lantejolas!!!"

Hija de Perra.

Interpretações imundas de como a Teoria Queer coloniza nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista, perturbando com novas construções de gênero aos humanos encantados com a heteronorma.

Posso pular essa?

O corpo guarda tudo. Passado, presente, futuro. O corpo guarda tudo. Seu cheiro, sua boca, seu sorriso e suas dobras. Seu papo furado, seu ar intelectual, andar engraçado, quase descompromissado. Sei de cada esquina sua, cada aperto meu, todo canto nosso. Sei da rua nova, da mudança atravessada pelo tempo, dos livros ainda dentro das caixas e da mesa que volta, ainda esse mês, pra casa dos seus pais. Suco de laranja de caixinha na geladeira - eu jamais acertaria. Você me surpreende as vezes. Onde a pia faz esquina, o mármore frio, minha mão gelada e uma conversa sobre arranhões. Acho que bebi uns cincos copos dágua por medo de não saber o que dizer. Me excitei. Fiquei de pau duro.  A incerteza me desconcerta. O barulho do filtro era estranho, ele começava a gemer antes da água sair. O filtro anunciava o esforço, o trabalho, o caminho percorrido pela água até o copo. Processo de purificação - de alta qualidade - com adesivo de garantia e tudo. Tem nome esse artista? É meu você responde e eu, mais uma vez, finjo não saber o que dizer. As poltronas velhas, o verde das plantas e a luminária com dois corações - um rosa e o outro, é claro, azul. Penso em discordar, em dizer que é um objeto repugnante, que sugere uma série de mentiras sobre o amor e sobre o encontro de duas pessoas. Mas penso que encontros podem se dar com mais de duas pessoas e não digo nada. Tem duas pastas de dentes novas no banheiro mas não tem escova extra. Não recebe ninguém, a casa não está preparada para o inesperado. Diz que se eu for de noite também vai gostar. Vou só de madrugada, prefiro a escuridão. Depois da cerveja tem vinho. Não quero. Gim tônica. Quero pouco, fico louca fácil, não quero perder as imagens. Não dorme aqui que a mãe vem amanhã cedo e junto dela a avó. Não durmo. Não quero família nem apresentações. Quero seus braços, seu corpo se contorcendo, pedindo mais, suportando pouco. Os mais novos são mais resistentes. Do que ele está falando? Os quadros no chão revelam a ideia de uma decoração que ainda está para ser. Tudo lá é assim, muito diferente de como é aqui. Lá tem cara de projeto, aqui tem cara de agenda. Seu cabelo está grande, ouve essa música aqui, não gosta da nova rainha dos raios. Diz que sou bem vindo de volta, que pensou muitas vezes nisso - nisso de nos termos de novo. E você, pensou? Na hora não lembro, não sei, não sei se prefiro lembrar que um dia... Cinco e quarenta da manhã. O tempo sempre passou depressa com a gente. Nunca vou me esquecer da primeira vez que lhe deixei ir embora, da carona no carro, da traição na piscina e do flerte quase infantil no supermercado. Eu nunca gostei de arranhões mas você me diz com tanta certeza que eu quase acredito, mudo de opinião. Todas as tatuagens eram novas apesar do desbotado das cores. Você devia ter cortado o cabelo essa semana. Pede um táxi, me ensina o caminho, péra, não precisa. Aqui é perto dá pra ir andando. Vou de táxi, cê sabe. Amanhã a gente vai no fazendinha, vê se aparece. Vejo. Apareço. Desço de escada. O porteiro tem o rosto deformado mas é lindo. Meu dels, que homem lindo. Ele sorri, eu digo bom dia. Ele diz que tá frio essa manhã. Eu sinto.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Exercício de roteiro.

Possibilidades de Roteiro:

- prólogo: Xuxa em vídeo (txt: sou eu tia, maria da graça...);
- transição de luz para cena;
- txt alterosa + partitura alterosa repaginada + primeiro strip-tease;
- célula coreográfica princesas, primeira parte, uma ou duas máscaras;
- música: milkshake com glitter;
- txt sonhado antes.



Sonhado antes.

aí foi quando eu descobri que esse sonho não era meu. quer dizer, quando eu descobri que ele não era só meu. ou melhor, que ele já havia sido sonhado antes, formulado antes, formatado e construído. ele, o sonho, era então um apanhado de projetos, um rede perversa de significados congelados, de sentidos possuídos e formas pré-determinadas. o sonho não era meu e nem seu. ele só poderia ser nosso se o aceitássemos por completo. aí foi quando eu descobri que o sonho era um produto, um objeto de desejo criado pelo mercado, uma plataforma de produção de subjetividade controlada, um cárcere privado. sonhar não tinha mais graça, não tinha mais cor pois não tinha ruído. tudo no sonho era programado, calculado. a fantasia não era minha mas pensada intencionalmente para mim. sua dose onírica só tinha bolhinhas no primeiro gole. depois, a sensação era de ressaca: boca seca, olhos marejados, corpo cansado. do convite para o baile ao beijo final, tudo trapaça, armação, esquema. o sonho era um arquivo fechado, uma falsa promessa de futuro, golpe dos brabos. foi aí que eu também percebi que era preciso sonhar menor para poder sonhar o possível. 

- sua majestade, o sonho! 
- cortem-lhe a cabeça!