Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performa tiva-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
Primeiro encontro com equipe.
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
Hija de Perra
"Na minha infância nunca me identifiquei com este binarismo, sentia que naturalmente encaixava
em outra situação muito mais harmônica, e brinquei os jogos infantis de ambos os lados, entre
jogar futebol, brincar com barbies, beijar garotas e garotos, definitivamente minha infância foi
sensacional, plural e nunca nenhum garoto me insultou, ao contrário, tudo transcendia muito
naturalmente dentro do livre fluir da vida.
Na década de 80, aos 5 anos de idade, me inscreveram por obrigação em um colégio católico só
de homens. A situação em si me parecia bem estapafúrdia. Todas as manhãs rezava à Virgenzinha
para que me converte-se em princesa e quando meus compainheirinhos de curso brincavam de
guerra das galáxias eu era sempre a princesa Leia. Sempre que tomava a mão dos meninos aos
quais sentia atração, a professora gritava de longe “os meninos não andam de mãos dadas”... minha
mente ignorante da heteronorma não compreendia esses gritos que impediam minhas liberdades
infantis naturais"
"Soltei meu cabelo, me vesti de rainha, coloquei saltos, me pintei e era linda, caminhei até a porta,
senti me gritarem, mas os seus cadeados já não podiam me parar e olhei a noite que já não era
escura, era de lantejolas!!!"
Hija de Perra.
Interpretações imundas de como a Teoria Queer coloniza nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista, perturbando com novas construções de gênero aos humanos encantados com a heteronorma.
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
Sonhado antes.
aí foi quando eu descobri que esse sonho não era meu. quer dizer, quando eu descobri que ele não era só meu. ou melhor, que ele já havia sido sonhado antes, formulado antes, formatado e construído. ele, o sonho, era então um apanhado de projetos, um rede perversa de significados congelados, de sentidos possuídos e formas pré-determinadas. o sonho não era meu e nem seu. ele só poderia ser nosso se o aceitássemos por completo. aí foi quando eu descobri que o sonho era um produto, um objeto de desejo criado pelo mercado, uma plataforma de produção de subjetividade controlada, um cárcere privado. sonhar não tinha mais graça, não tinha mais cor pois não tinha ruído. tudo no sonho era programado, calculado. a fantasia não era minha mas pensada intencionalmente para mim. sua dose onírica só tinha bolhinhas no primeiro gole. depois, a sensação era de ressaca: boca seca, olhos marejados, corpo cansado. do convite para o baile ao beijo final, tudo trapaça, armação, esquema. o sonho era um arquivo fechado, uma falsa promessa de futuro, golpe dos brabos. foi aí que eu também percebi que era preciso sonhar menor para poder sonhar o possível.
- sua majestade, o sonho!
- cortem-lhe a cabeça!
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