Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Previsão do Tempo

Ser bicha é ser enquadrado, no inciso C, do parágrafo terceiro, do artigo 24, da lei de segurança internacional, seco e de muito calor. É ter medo à flor da pele, é ter a língua ferida, a boca rubra, o beijo fácil, mas vamos ver se o tempo continua assim o amor saindo pelos poros. Ser bicha é um estado de espírito, a expectativa é de mais um dia muito quente e bastante seco em boa parte do Brasil de choque, de sítio, de graça. Como o artista pinta seu quadro, já que não temos previsão de chuva pois a massa de ar seco continua estagnada no país como a luz que filtra a janela do quarto, a lua bojuda no céu. Ser bicha: ser inspecionado, é ter revirado o passado e investigado o medo – subindo os termômetros devem chegar a marcar o cheiro saudoso dos primeiros tempos no extremo norte do país. É a polícia, acesa e trêmula no encalço do baitola amedrontado, claro índice de pouca humidade/humanidade no ar. Ser bicha é ser metade gente, a outra metade - o povo, gargalha garganta a dentro no litoral nordestino, ri e galhofeiro. A boa notícia pro no final de semana É Ter parte com o demônio, aprendiz de feiticeiro. É estar entre, no meio, ser meta-de Outros homens quando o calor dá uma amenizada e poderemos ter algumas pancadas de chuva aqui no Rio de Janeiro.

Paulo Augusto + interferências.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Estatuto

ESTATUTO
Ser bicha é ser enquadrado
no inciso C
do parágrafo terceiro 
do artigo 24
da lei de segurança inter
nacional.
É ter medo à flor da pele,
é ter a língua ferida,
a boca rubra,
o beijo fácil,
o amor saindo pelos poros.
Ser bicha é um estado de espírito,
de choque, de sítio,
de graça.
Como o artista pinta seu quadro,
como a luz que filtra
a janela do quarto
a lua bojuda no céu.
Ser bicha: ser inspecionado,
é ter revirado o passado
e investigado o medo –
subindo o cheiro saudoso
dos primeiros tempos.
É a polícia, acesa e trêmula
no encalço do baitola
amedrontado.
Ser bicha é ser metade gente,
a outra metade - o povo,
gargalha garganta a dentro
ri e galhofeiro.
É Ter parte com o demônio,
aprendiz de feiticeiro.
É estar entre, no meio, ser meta-de
Outros homens.
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Poema do potiguar Paulo Augusto, publicado em 1976.