Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Rivotril?

21 de Setembro de 2015.


11h25.


Minha insônia é maravilhosa, por isso eu não posso dormir.

domingo, 20 de setembro de 2015

Tira tudo

- Sapatinho: Esquecendo o castelo...

- Coroa: A música-tema.

- Colar: Castiçais e candelabro.

- Luva (1): Veludo molhado, tafetá...

- Cabeça: E as perucas... Todas elas.

- Brinco (1): Esquece as jóias.

- Roupa de cima*: Esquece as pedras preciosas.
* Possibilidade.

- Anel: Adorado sapatinho de cristal.

- Saia: O copeiro, o jardineiro...

- Cílios: O motorista particular...

- Brinco (2): A casa de veraneio...

- Pulseira: Esquece da vontade das pessoas...

- Luva (2): Tira uma foto comigo?

- Calcinha: ... Possibilidade de reconfiguração infinita

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
a quem só despertaria
um Infante, que viria
de além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
vencer o mal e o bem,
antes que, já libertado,
deixasse o caminho errado
por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
e orna-lhe a fronte esquecida,
verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
sem saber que intuito tem,
rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino –
ela dormindo encantada,
ele buscando-a sem tino
pelo processo divino
que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
tudo pela estrada fora,
e falso, ele vem seguro,
e, vencendo estrada e muro,
chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
ergue a mão, e encontra hera,
e vê que ele mesmo era
a Princesa que dormia.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Retrato #2 - Princesa


Liguei a TV no dia 01 de Setembro de 2015.
Ela dizia que hoje tudo mudou.
Hoje mulheres podem ser "alguma coisa que elas não são habitualmente".
E hoje homens podem ser princesas.

Será?

Fiquei pensando em Alterosa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

roteiro de partitura

mão pra trás
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos

não - solta
ombro / aqui

espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Hija de Perra

"Na minha infância nunca me identifiquei com este binarismo, sentia que naturalmente encaixava
em outra situação muito mais harmônica, e brinquei os jogos infantis de ambos os lados, entre
jogar futebol, brincar com barbies, beijar garotas e garotos, definitivamente minha infância foi
sensacional, plural e nunca nenhum garoto me insultou, ao contrário, tudo transcendia muito
naturalmente dentro do livre fluir da vida.

Na década de 80, aos 5 anos de idade, me inscreveram por obrigação em um colégio católico só
de homens. A situação em si me parecia bem estapafúrdia. Todas as manhãs rezava à Virgenzinha
para que me converte-se em princesa e quando meus compainheirinhos de curso brincavam de
guerra das galáxias eu era sempre a princesa Leia. Sempre que tomava a mão dos meninos aos
quais sentia atração, a professora gritava de longe “os meninos não andam de mãos dadas”... minha
mente ignorante da heteronorma não compreendia esses gritos que impediam minhas liberdades
infantis naturais"

"Soltei meu cabelo, me vesti de rainha, coloquei saltos, me pintei e era linda, caminhei até a porta,
senti me gritarem, mas os seus cadeados já não podiam me parar e olhei a noite que já não era
escura, era de lantejolas!!!"

Hija de Perra.

Interpretações imundas de como a Teoria Queer coloniza nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista, perturbando com novas construções de gênero aos humanos encantados com a heteronorma.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Exercício de roteiro.

Possibilidades de Roteiro:

- prólogo: Xuxa em vídeo (txt: sou eu tia, maria da graça...);
- transição de luz para cena;
- txt alterosa + partitura alterosa repaginada + primeiro strip-tease;
- célula coreográfica princesas, primeira parte, uma ou duas máscaras;
- música: milkshake com glitter;
- txt sonhado antes.



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O nome dela quer dizer safadeza



Eu adoro esse filme, essa história, essa personagem. Na minha festa do livro, da alfabetização, a minha turminha dançou a música clássica da Bela e a Fera. Me lembro de ter muita inveja do vestido das meninas, de querer estar de amarelo como elas, quando na realidade tive que me contentar em usar uma simples imitação de terno, feita de cetim vagabundo, que era a roupa das feras-príncipes. Eu só queria ser uma princesa e hoje gostaria de voltar no tempo para poder ver o que os meus olhos diziam. Seria o meu desejo tão internalizado que nada era expresso pro fora? Seria a minha vontade tão reprimida e o meu teatro tão convincente? Ou era o teatro do fora, imerso em seus padrões e verdades absolutas, que não me enxergava? Dentro e fora.

Para a Alterosa, gostaria de criar com o Phil uma paródia dessa música. Acho que é uma canção maravilhosa para trabalhar todos os tipos e formas de xingamento que são dirigidos as identidades trans*. A vida do interior, minha aldeia, nossa aldeia cotidiana, repleta de censura, preconceito, violência e repúdio. Assim como Bela é exotizada na canção, só por gostar de ler, sou/somos exotizados todos os dias por nossos corpos e identidades em constante fluxo de construção e (re)combinação. Uma paródia de denúncia: a Bela que é Fera que é BELA FERA, FERABELA.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cinderela não vai ao baile!

- sabem de uma coisa: Cinderela não vai ao baile.
- o que? não vai?
- que foi que disse?
- vão ver, não vão deixar.
- trabalho, trabalho, trabalho... Nunca vai acabar esse destino.
- pobre, Cinderela.


https://www.youtube.com/watch?v=yfkYkjmyWT0

Sonho meu no outro, sonho do outro: meu sonho, sonho só meu?




Da série "Mem de Sá, 100" da fotógrafa Ana Carolina Fernandes