Sonho Alterosa é uma investigação cênico-científica-performativa-transviada-bizarra borrada pelo tensionamento que emerge do encontro de dois universos: a ambiência dos contos de fada e a resistência da bicha efeminada. O projeto teve início em junho de 2013 como parte integrante da pesquisa de doutorado do artista pesquisador Caio Riscado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

roteiro de partitura

mão pra trás
direita frentre
olho: 1 - 2 - 3 - 4 -5
mão, armou - castelo
portão, braço - cintura
olhar
ponte - perna esquerda arrastando
olhar pra baixo
braços abertos - rio
pegou a saia - jardim - corrididnha / enorme - soltou a saia
braço (colorido) braço (arejado)
flores raras - mãos

não - solta
ombro / aqui

espelho
1 orquidário - cabelo
pinheiro - cabeça
fonte
deleite
chua chua pra trás no espelho
querendo...
saia, reverência

22 de agosto de 2015

18:14

Dá um nó no tempo. O corpo confundi e a cabeça inventa. Acordei fazendo planos tão bestas quanto a minha cara lhe pedindo um beijo. O álcool intensifica o processo e as questões não amadurecem. Acordei querendo gritar umas coisas, chorar uns livros. Tudo sujeira. Tudo deserto. Tudo certo. Sou pedra pouco lapidada, acordei sentindo sua falta. Uma falta criada, um vazio ficcional.

18:38

E podia ter mais. Mas eu não sei fazer poesia com vento forte. Bom sábado.

A BALADA DOS AFEMINADOS - CHARLES BERNSTEIN / TRAD. SANDRO ORNELLAS

A verdade jaz debaixo do choro
Com o medo, a casca do luto vira couro

Uma democracia adulta
Definha e se torna suja
Por brutamontes que odiar
Preferem em lugar de rimar

As quatro letras da complexidade
Para os que têm e não têm
Mentir dados de Darwin
E endeusar o que Halliburton diz

A verdade jaz debaixo do choro
Com o medo, a casca do luto vira couro

Bandidos roubam o estoque de liberdade
O rico ganha palmas, o pobre, sete palmos
E o deus que abençoa isso
Não é deus, é discurso vazio

Então seja afeminado
Assuma um jeito viado
Cante uma canção libertina
E dance com saia de menina

Poesia não vence a guerra contra o terror
Mas também não repete o erro do horror

Nós afeminados não tememos
Razão, interdependência ou incerteza
Usamos antes e depois da luta a cabeça
Rezamos por bom senso, arte e compromisso

Então seja um afeminado
Cante essa canção libertina
Maricas e altivos
Nunca fugiríamos da guerra

Afeminados mataram cristo
Diz o DVD Platinum
Judeus, negros e gays
Aguardam sua vez

Desculpe-nos, matamos seu deus
Há muito, muito tempo atrás
Mas cada soldado morto no Iraque
Mata o deus interior que ainda vive

A verdade jaz debaixo do choro
Com o medo, a casca do luto vira couro

Então seja afeminado
Assuma um jeito viado
Cante uma canção libertina
E dance com saia de menina

Bandidos roubam o estoque de liberdade
O rico ganha palmas, o pobre, sete palmos
E o deus que abençoa isso
Não é deus, é discurso vazio

Então seja um afeminado
Cante essa canção libertina
Maricas e altivos
Nunca fugiríamos da guerra

Com o medo, a casca do luto vira couro
A verdade jaz debaixo do choro

* “Girly Men” foi a expressão que o então governador da Califórnia – Arnold Schwarzenegger – usou para se referir a quem era contra a chamada “Guerra ao Terror”.


ORIGINALMENTE POSTADO EM:
http://sandroornellasblogue.wordpress.com/2012/12/30/a-balada-dos-afeminados/

domingo, 23 de agosto de 2015

Gabinete de curiosidades

obras para emoldurar

- Romero Britney, Eduardo Castelo
- Aquarela, Adriana Azevedo
- Polaroides 1, Lia Sarno (série do meu aniversário com o Lucas)
- Polaroides 2, Lia Sarno (série do Xoxotaço)
- Juntas na merda, Barbies da Barbárie (série de fotos no banheiro da Unirio)
- Guardanapo de veado

obras já emolduradas

- presente de aniversário, Natália Araújo (a moldura já é rosa. pode ser bom dar um tapa na pintura)
- presente de aniversário, Mayara Yamada (trocar a moldura preta por uma moldura rosa)


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Da maior importância


cenário
projeção
divulgação
ação

Miau

Curitiba, sábado, 01 de agosto.

Gato Preto.

Luciano e eu sentados na mesa. Lado a lado. Uma mulher se aproxima. Ela se agacha no espaço entre nossos corpos, com as mãos apoiadas no encosto de nossas cadeiras, e diz: "olá, rapazes. Vamos fazer um sexo bem gostoso? Nós três?". Luciano sorri, abobalhado. Por um segundo eu não sei o que dizer, mas digo: "hoje não vai dar, obrigado". "Amanhã, então?" - ela pergunta com um leve sorriso no rosto. "Amanhã. Quem sabe?!" - dizemos.

Essa foi a primeira vez que me vi incluído numa possibilidade de relação heterossexual. 

Primeiro encontro com equipe.


Foto da Mayara da foto da Lia.