esconjuramento
Desaforado,
respirando muito,
um tropeço,
muita calma.
respirando muito,
um tropeço,
muita calma.
E a luz.
Pontilhada na vista, alaranjado-amarela.
De clarão.
E os sussurros.
De um canto gemido, em multivoz.
No chão.
De clarão.
E os sussurros.
De um canto gemido, em multivoz.
No chão.
Meu corpo explodido em vida,
Meu corpo vivendo de tanto ser visto,
Meu corpo morrendo.
Meu corpo vivendo de tanto ser visto,
Meu corpo morrendo.
Me esbarraram no corpo,
dolorido,
rolado abaixo,
no canto.
dolorido,
rolado abaixo,
no canto.
Caído no meio da gente toda em fila, caminhando lenta, de pouco em pouco.
Respirando melodia hipnótica.
Vendo céu, virando giro.
Atordoado.
Respirando melodia hipnótica.
Vendo céu, virando giro.
Atordoado.
O assombro daquela multidão trotando de pé no chão, desviando da barreira.
Não via rosto. Via só a cor do mundo numa só, arco-íris, preto-cinza, escuridão.
Quentura de vela, visão de fogo, aquele avermelhado dos olhos.
E o corpo moído, ralado de terra, querendo resposta, motivo e porquê.
Não via rosto. Via só a cor do mundo numa só, arco-íris, preto-cinza, escuridão.
Quentura de vela, visão de fogo, aquele avermelhado dos olhos.
E o corpo moído, ralado de terra, querendo resposta, motivo e porquê.
Outro eu.
Tinha energia virando. Pra querer pedaço de volta.
Repedaço.
Pra evocar.
O teu tratado.
E seguindo a procissão, essa distante.
De onde você vê e larga um sorriso divinado, ressentido.
Teu presente. O bater desses pés no chão pedindo resposta.
Repedaço.
Pra evocar.
O teu tratado.
E seguindo a procissão, essa distante.
De onde você vê e larga um sorriso divinado, ressentido.
Teu presente. O bater desses pés no chão pedindo resposta.
Aparição.
Que o canto chegue cantado, como deve ser.
Vontade-carinho. Essa distância. E alcançar essa lonjura.
As bocas que andam resmungandozunindo, transfigurando.
Pros olhos que você já virou. Toma essa luz, solta em clarão.
Diz que vive ao som de reza.
Mandingaria.
Essa viadagem.
É teu povo guiando essa tristeza-carnaval.
Que não para.
Vontade-carinho. Essa distância. E alcançar essa lonjura.
As bocas que andam resmungandozunindo, transfigurando.
Pros olhos que você já virou. Toma essa luz, solta em clarão.
Diz que vive ao som de reza.
Mandingaria.
Essa viadagem.
É teu povo guiando essa tristeza-carnaval.
Que não para.
Gente que entra gente e sai deus.
Gente que entra mancando e sai em revoada.
Gente que entra raposa e sai passarinho.
O canto pras mães que já morreram.
Que perderam os filhos por beleza demais.
Gente que entra mancando e sai em revoada.
Gente que entra raposa e sai passarinho.
O canto pras mães que já morreram.
Que perderam os filhos por beleza demais.
Sublimação.
Pra cuidar dos filhos que ficaram.
Que só não levaram por amor.
O eco desse colo vazio.
Aquele adeus e cada um.
Essa procissão de gemido. Iluminando o caminho que leva, a passagem.
O canto que te evoca, bem pesado. Vem responder com chuva, com trovoada. Requiando um canto.
Fantasmagorizando essa saudade.
Uma energia tua entrando na pele.
Como abraço. Nesse círculo.
Que só não levaram por amor.
O eco desse colo vazio.
Aquele adeus e cada um.
Essa procissão de gemido. Iluminando o caminho que leva, a passagem.
O canto que te evoca, bem pesado. Vem responder com chuva, com trovoada. Requiando um canto.
Fantasmagorizando essa saudade.
Uma energia tua entrando na pele.
Como abraço. Nesse círculo.
Eu cubro o sexo com as minhas dores.
E também com as dores de quem não podem mostrar que sentem dor.
Eu gozo em respeito ao meu corpo.
Eu gozo pelo seu direito de gozar.
E também com as dores de quem não podem mostrar que sentem dor.
Eu gozo em respeito ao meu corpo.
Eu gozo pelo seu direito de gozar.
Concentrando o olhovento.
Que te observo na nuvem. Trancada numa caixa.
A maquiagem sujando teu rosto
Teu lindo rosto sujo.
Nesse canto, recanto.
Pra evocar nessa nudez: o teu regresso. Em forma dágua. De dança. De silêncio.
Às mortes dos que só morrem de verdade.
Às mortes dos que morrem por amarem quem não podem.
Que te observo na nuvem. Trancada numa caixa.
A maquiagem sujando teu rosto
Teu lindo rosto sujo.
Nesse canto, recanto.
Pra evocar nessa nudez: o teu regresso. Em forma dágua. De dança. De silêncio.
Às mortes dos que só morrem de verdade.
Às mortes dos que morrem por amarem quem não podem.
Pois se chover, eu bebo cada gota. Com a esperança.
Pra chover pedaço de carne. E doer.
Como dói em mim.
Pra chover pedaço de carne. E doer.
Como dói em mim.
Foi o corpo que levantou sozinho e respirou de novo.
E se despiu trinta e cinco vezes.
E se despiu por quem não pode se despir sem medo.
E se despiu trinta e cinco vezes.
E se despiu por quem não pode se despir sem medo.
Eu não tenho mais medo de mim.
Vem de cura, nossa mãe.
Avisa a minha que sinto muito. Avisa a minha que ela é só minha.
Pra minha reza de deformação.
A caber de novo no seu útero.
Seu sexo.
Deduzo. A sua vera forma.
Eu que levantei e vi o visto, um vulto, passando através de mim.
Vem de cura, nossa mãe.
Avisa a minha que sinto muito. Avisa a minha que ela é só minha.
Pra minha reza de deformação.
A caber de novo no seu útero.
Seu sexo.
Deduzo. A sua vera forma.
Eu que levantei e vi o visto, um vulto, passando através de mim.
Outro eu.
O teu pai que virou mãe.
O meu irmão que agora é tia.
A tua irmã que já é padrinho.
O teu pai que virou mãe.
O meu irmão que agora é tia.
A tua irmã que já é padrinho.
O corpo que era meu despertenceu.
A boca que era minha falou em outra voz.
Pra vir falar esse idioma de gozo.
Pra desfigurar meu corpo nessa transubstância.
Pra triturar meu rosto nessa terra uma vez mais.
E o ombro que não se mexia.
E o braço que não se mexia.
E a mão que não se mexia.
Sem dedo.
E um fogo passando no umbigo.
E o punho fincado lá dentro, revirando, remexendo.
Apertidão.
A boca que era minha falou em outra voz.
Pra vir falar esse idioma de gozo.
Pra desfigurar meu corpo nessa transubstância.
Pra triturar meu rosto nessa terra uma vez mais.
E o ombro que não se mexia.
E o braço que não se mexia.
E a mão que não se mexia.
Sem dedo.
E um fogo passando no umbigo.
E o punho fincado lá dentro, revirando, remexendo.
Apertidão.
Um coração de mãe alargado. Elástico, pálido, plástico, seu nome em vermelho.
A devoção dessa mostra oca de gente-dor.
Vem pedindo seu colo vazio, seu murmuro desautorizado.
O carimbo da sua testa, repetido. A nuvem-sexo. Bloqueada no dente. A mordida.
Pra te cantar como hino.
E me respirar.
Essa mão fechada em soco. Rebolada.
Reticente.
Retirante.
A devoção dessa mostra oca de gente-dor.
Vem pedindo seu colo vazio, seu murmuro desautorizado.
O carimbo da sua testa, repetido. A nuvem-sexo. Bloqueada no dente. A mordida.
Pra te cantar como hino.
E me respirar.
Essa mão fechada em soco. Rebolada.
Reticente.
Retirante.
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